Querido Brasil,

Bom dia! Saudades de você! Como vai?

Na verdade, sei que as coisas por lá andam um pouco, digamos, complicadas. Então, como sou muito seu amigo, resolvi escrever esta carta de encorajamento.

Quando tenho um amigo que passa por tempos difíceis, um dos primeiros conselhos que eu ofereço é que a pessoa deve procurar aprender as devidas lições da situação. Creio que o seu caso, Brasil, não seja diferente. Gostaria de sugerir algumas lições que possam ser aproveitadas através da crise atual.

Lição 1: O esquerdismo é falido.

E quando falo “falido”, quero dizer moral e economicamente.  Economicamente, porque mais cedo ou mais tarde falta verba para sustentar o “estado babá”. Moralmente, porque tirar os bens honestamente adquiridos de alguém para dar para outro é fundamentalmente imoral. Não é “redistribuição de riquezas”, é roubo–quer praticado pelo marginal, quer pelo ministro. E os que pregam tal “redistribuição de riquezas”, no geral, pensam em redistribuir as suas riquezas para eles. Você, Brasil, está vendo os frutos do esquerdismo agora. Determine logo a não cair mais nesse papo furado.

Lição 2: Uma ditadura militar não é a solução.

Falando em “papo furado”, vejo alguns filhos teus nas redes sociais advogando a volta a ditadura militar. Vou colocar isso nos termos mais brandos possíveis: que ideia mais estúpida! Uma peça fundamental da sociedade livre é um militar que seja sujeito às autoridades civis, e não vice versa. Entenda que a ditadura militar e o socialismo são apenas dois lados da mesma moeda, e rejeite os dois. Existem mais alternativos, inclusive uma republica democrática construída sobre um alicerce de ideais liberais de liberdade humana e económica.

Lição 3: Um movimento que gira em torno de uma personalidade é frágil.

Veja como a casa caiu. O homem que, em 2002 era universalmente bajulado (até o Obama o chamou de “o cara”) agora está na mira de uma investigação anti-corrupção, e sendo vaiado nos estádios. E não é só ele, nem o partido dele. Uma das coisas que mais gratificantes que vejo no meio dos protestos é quando os corruptos são vaiados, independente de partido. Isso quer dizer, talvez, que seus filhos estão pensando, e não apenas jurando lealdade cega a uma pessoa ou outra.

É uma triste realidade que a luta para liberdade pode trazer a tirania (veja a revolução francesa, por exemplo). Que essa nova etapa na sua vida seja centrada em ideais de liberdade pessoal, livre mercado, e sociedade justa (que não é a mesma coisa que igualitária), e não em alguma figura demagógica.

Lição 4: Senso comum vale ouro.

Algumas realidades precisam ser enfrentadas. Por exemplo: Você não pode ter leis que dão imunidade para jovens infratores, sem esperar o aumento drástico em criminalidade juvenil que está vendo hoje. Você não pode tirar do povo “do bem” o direito de se defenderem e depois ficar surpreso quando se cria uma sociedade onde as famílias vivem por trás das grades enquanto os bandidos andam livremente e armados. Você não pode inventar programas que dão dinheiro ao povo sem criar uma dependência em tais programas (verdade que alguns criam tais programas visando justamente tal dependência para se perpetuarem no poder…). Resumindo, muitos de seus problemas podiam ser resolvido com um pouco de senso comum e um pinguinho de coragem.

Lição 5: Cuidar da alma é mais importante do que cuidar do Planalto.

No final das contas as melhores leis não podem impedir a corrupção, pois o coração do homem é voltado ao mal. Pensadores como Locke e Smith entenderam melhor a natureza humana do que Marx, porem nem os seus sistemas sobrevivem um povo voltado ao mal. Enquanto você reclama da corrupção dos poderosos, é essencial também olhar para dentro e se deparar com a corrupção que existe em cada um.

Parafraseando Alexis de Toqueville, nenhum povo será grande se não for bom. E citando Jesus Christo, “bom, só tem um, que é Deus.” Logo, Brasil, a única maneira de efetuar transformação nacional é primeiro efetuar uma transformação espiritual. Que o Cristo Redentor não seja apenas um monumento no Rio, mas uma realidade transformadora no seu coração.

Seu grande amigo,

Andrew